sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

O fiofó do gado de Fulgêncio.




Fulgêncio morava na Lagoinha, nos arredores do Rebentão, povoado monteazulense, terra de extremo potencial produtivo, de pouca chuva, é verdade, mas mesmo assim, um terreno que o tempo fez aprender a se virar com a pouca água. Racionando-a para dar substância às plantas que ali teimam em fixar suas raízes. Assim também é o Fulgêncio. Caboclo que inicia seu labor com o aparecimento do sol e conclui com os últimos raios da luz natural. O tempo retirado à força para por no bucho um pouco de alimento para sustentar-se, é tempo considerado perdido, é tempo que bem podia ser utilizado para consertar as cercas, roçar a pastagem, fazer aceiros, buscar água na cacimba e tantas outras atividades essenciais nas múltiplas atividades diárias do sítio...Mas o que que se há de fazer? A natureza faz-se superiora e exige que parte do seu precioso tempo seja gasto com o comer, o beber e as necessidades fisiológicas...Ô tempo perdido Sô!!! Fulgêncio, temeroso e muito religioso não ousava contradizer nada...Mas sempre matutava consigo mesmo: Prá que que pobre quer cu? Só serve para atrapalhar. Se não cagasse, a comida podia durar muito mais tempo dentro do estômago.
No início de agosto, Fulgêncio reuniu sua boiada, composta de dez vacas, um reprodutor , seis bezerros e duas bezerras, todos curraleiros, ditos pé-duros, gado rústico, fruto de gerações e gerações de consanguinidade. Filho cruzava com mãe, neta com avô...o gado definhava em termos de qualidade, mas ganhava resistência... Numa terra onde o mais importante é resistir às intempéries do rigor da natureza. Na visão de Fulgêncio, de pouca escola...aquela dos livros e do professor que ganha do governo para ensinar a ler... nesse conhecimento restrito, as raças melhoradas e aptas à uma produção de qualidade, eram propensas a doenças do gado, tais como a doença do chifre, da mosca, do quarto duro e tantos outros males que dizimam o rebanho e mínguavam os sonhos de Fulgêncio. O gado pé-duro, não!!! É resistente, é forte, é independente...As vacas do Sítio São Fulgêncio, pariam e cuidavam das crias sozinhas, no mato, no ermo, na solidão das noites...E ainda se protegiam a si e as crias, contra os predadores da natureza. È como uma índia que dava a luz e cuidava do filho sozinha...Fulgêncio se babava todo, maravilhado com a natureza, de uma perfeição sem tamanho...Tudo era feito de maneira a se resolver sozinho...Ele só precisa dar uma mãozinha, para tudo se ajeitar e sair nos conformes.
No pequeno curral, a minúscula boiada estremecia o chão, as varas do curral pareciam pestes a desabar com o tremor sem fim, o gado tremia de medo, de impaciência...O clima era tenso e desesperador... O grupo de animais se espremia e girava em num único sentido, como se adivinhassem que Fulgêncio ia vender os seis bezerros e duas vacas, que resumiria o rebanho em onze cabeças, número que comportava o pequeno terreno que lhe fora destinado na partilha feita com a morte do seu pai. O gado inquietava e aguardava o desfecho daquela inesperada reunião.
O sitiante após prender o rebanho, sentou-se no vão da cerca, perto do curral e fazendo um pito, picava o fumo nas mãos ressecadas, trincadas e sujas...Resultado de uma vida de penúria e sofrimentos, mas repleta de orgulho por ser um homem livre.
A espera terminou com a chegada de Ontonho de Orora, comprador de gado que já chegou ao curral, cumprimentou Fulgêncio com um abaixar de rosto, disse algo parecido com bom dia e já se dirigiu ao curral para vistoriar o gado. Balançava a cabeça sempre indicando negatividade e com a boca rija e seca balbuciava palavras que indicavam ter perdido a viagem, com animais daquele tipo...
Fulgêncio já conhecia de cor e salteados todos aqueles grunhidos e movimentos destinados a fazer o sucesso da transação comercial que se iniciava. Todos os anos o espetáculo se repetia. Ontonho era uma raposa esperta e estava no ramo de compra de gado há coisa de trinta anos...Diziam que quando ele nasceu, ao tomar o primeiro leite já ofereceu dinheiro para comprar a vaca que lhe supria a primeira alimentação...Ora isso era conversa das pessoas que não tinham o que fazer...
Ontonho de Orora, após minucioso reparo, sem levantar os olhos, pigarreia, tosse seco oferece a quantia de dois mil reais pelos oito animais...Fulgêncio da mesma forma, de olhar perdido no horizonte diz que está fechado o negócio...Prá que iniciar uma luta com Ontonho...Aquilo era uma autoridade no ramo do gado...Ele é quem sabe o quanto vale o fruto do trabalho do povo...E se ele falou...tá falado!!!
Ontonho enfiou a mão no bolso, sacou um camaço de notas de cem reais e se dirigiu a Fulgêncio para efetuar o pagamento. No ato de estender a mão para o criador de gado, numa fração de segundos, o gado ao ver o dinheiro, avançou na mão do pobre Ontonho e numa agilidade sem par, comeram as vinte cédulas que estavam na mão do comprador de gado... Ontonho não acreditava...Atônito e abestalhado, olhava para os animais que engoliam as cédulas como um prato exótico e obviamente caro...As lágrimas caiam e em prantos o infeliz Ontonho diz para Fulgêncio:
-Fulgêncio, amanhã cedo eu volto para buscar o dinheiro que vai sair na bosta do boi e concluir a compra!
O dono do Sítio São Fulgêncio, responde calmamente: Amanhã não digo, esse gado é de pouco cagar, pois a comida aqui é tão pouca que até já estive pensando pra que que esse gado tem cu. É male male para um peidinho de pouco vento!!!
Mesmo assim, sabendo ter perdido uma fortuna, Ontonho sempre que encontrava Fulgêncio, no mercado municipal de Monte Azul, perguntava:
-O gado já cagou o dinheiro???
Recebendo como resposta um sorriso safado de quem pelo menos uma vez na vida teve o prazer de ver um rico ser punido. E nunca mais Fulgêncio questionou o motivo da existência do cu. Pelo menos o do gado.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Relato de Francisco Teles de Menezes em Montes Claros, 29 de agosto de 1948

Texto publicado originalmente no "Porteirinha em ação" na segunda-feira, 30 de agosto de 2010= Memorial da tragédia de Monte Azul, a partir de 16 de fevereiro de 1946=

Decorridos mais de dois meses de minha estadia com família em Montes Claros, refugiados de Monte Azul, tive conhecimento por um radiograma do Chefe de Polícia ao Delegado Regional desta zona, que foi apresentado pelo cabo Adis Varjão a todos de Monte Azul, Mato Verde e Bonito, aqui refugiados, perseguidos por Levi Silva, para que, os que pretendessem regressar aos seus lares, seriam dadas garantias precisas para a viagem, o que confirmou-nos o Delegado na Delegacia, onde fomos convidados para manifestarmos nosso desejo e ali reunidos, a citada autoridade fez ver-nos que Monte Azul já tinha novo Prefeito e o Major Lourival, delegado especial, para garantia de todos. Como eu estivesse ameaçado de morte, quando retirei-me de Monte Azul, após os funerais do saudoso compadre Antonio de Oliveira Neto, Totó, tragicamente assassinado em Porteirinha a 16 de fevereiro de 1946 pelo jagunço de Levi Silva, o célebre bandido João Açougueiro, não pude ir a fazenda receando emboscada, a fim de dar ordens de serviço ao vaqueiro, resolvi aproveitar ainda da trégua de pacificação ir a Monte Azul com meu filho Helvécio Teles, José Machado Gomes e Mozart Ribeiro, partindo desta cidade a 4 de maio de 1946, chegando ali no mesmo dia, encontrando de fato ali jagunços de Levi em completa paz. Chegando naquela cidade, por um dever social procuramos visitar o Prefeito José Arges e o Major Lourival, Delegado Especial. No dia 7 do citado mês de Maria e ano, por uma denúncia escrita dada ao Major Lourival por Sebastião de Freitas contra Arabel de Souza Gomes, foi este preso em Mato Verde, por ordem do Major e conduzido à cadeia de Monte azul, onde foi recolhido no mesmo dia pelo sargento Oliveira e cabo José Cândido Lima. No dia 10 pela manhã, fui informado que a mulher de Arabel havia ali chegado na noite de 7 e sabendo não estar mais na cadeia o seu marido, fora à casa do Major Lourival perguntá-lo pelo mesmo, o qual respondeu-a que o tinha soltado e como ela parecia duvidar, o Major mandou-a revistar a casa. No dia 11 do mesmo, precisando ver o José Alckmin para arranjar-me seu carro para tomar o trem em Janaúba,
não o encontrando em casa, soube estar o mesmo em casa do Major Lourival, onde fui procurá-lo não o encontrando. Nessa ocasião o Major Lourival relatou-me o que se passava entre ele e a mulher de Arabel, declarando-me que para evitar que o mesmo fosse posto em liberdade por habeas-corpus, que o tirou à noite da cadeia, levando-o para o quartel de sua Força em Pernambuco, de onde precisava retirá-lo para outro ponto porque (sic) um tal Olimpinho parecia-lhe estar espreitando, ora em cima da cerca, ora no quintal do Quartel e que ele (o Major), precisava ainda interrogá-lo, pois que o mesmo havia declarado que já tinha 11 mortes, sendo apenas 2 por sua conta. Nesse momento perguntou-me o Major, se eu podia obter com algum Fazendeiro próximo à Cidade, permissão para transportar o Arabel para tê-lo reservado, a fim de que ele o Major fosse tomar seus depoimentos e em seguida pô-lo em liberdade. Já à noite do citado dia 11, recebi por um camarada de José Alkmim um recado do Major se eu tinha conseguido o fazendeiro
para ficar o Arabel, eu de boa fé, nada suspeitando, ao contrário, procurando fazê-lo bem, de vez que o Major prometeu-me soltá-lo, após suas declarações, pois sempre mantivemos as melhores relações de amizade, éramos compadres, primo de minha senhora e sua mulher sobrinha da minha, lembrei no momento da fazenda de Isidoro Rodrigues, mandando o seu filho Altino a sua fazenda, tendo o Isidoro recusado-se a recebê-lo, alegando falta de cômodo para tê-lo. No dia 12 do mesmo mês, cedo, procurando o Alkmim para arranjar-me o carro que havia chegado de Espinosa, para o meu transporte a Janaúba, encontrei-me com o Major Lourival que perguntou-me pela resposta do fazendeiro, respondi-lhe ser negativa, por falta de cômodo. Então o Major disse-me: (sic) soube que o senhor tem uma fazenda muito próxima à cidade, não pode arranjar-me para guardar o Arabel por poucas horas para ver se descubro mais crimes praticados pelo mesmo? Respondi-lhe que absolutamente não podia, nem devia o fazer, que o Major bem sabia pela leitura de 2 cartas minhas dirigidas a Arabel que ele encontrou em sua algibeira provando nossa amizade íntima, além do parentesco existente entre ele e minha senhora, e que se tal o fizesse seria um traidor, ingrato e teria que suportar as conseqüências de uma vendeta de sua parte. Em vista de minha recusa a sua proposta, respondeu-me o Major áspera e violentamente (sic) dizendo que eu quisesse ou não ele mandaria levar o preso para minha fazenda, respondendo-lhe que se ele assim o fizesse, seria com o meu formal protesto. Julgando que com o meu protesto, o Major refletisse em seu erro e desistisse de sua pretensão arbitrária. Infelizmente assim não aconteceu, porque no dia 13 do mesmo mês, às 7 horas da manhã, recebi um recado do meu vaqueiro João da Cruz por intermédio do meu agregado Davino, o qual mandou-me comunicar que à meia-noite de 12 chegaram na minha fazenda de Olhos d’Água dois militares escoltando o infeliz Arabel e que o entregaram recomendando-o de ordem do Major Lourival, se o preso fugisse, ele, o João da Cruz, pagaria com a vida a sua fuga e que eu mandasse dizer-lhe se o Arabel estava ali preso por minha ordem, que ele estava cansado de vigiá-lo quase toda noite e que o mesmo estava quase solto. Falei ao Davino que dissesse ao João da Cruz, que ele bem sabia que eu nada era e que se entendesse com o Major Lourival que, contra a minha vontade mandam o Arabel para a fazenda. Contrariado com a arbitrariedade do Major e que dizia francamente ter carta-branca, nesse mesmo fatídico dia 13, às 13 horas viajei para Janaúba, onde tomei o trem a 14 para Montes Claros, onde resido desde 28 de fevereiro de 1946. Decorridos poucos dias depois de minha chegada à esta cidade, soube que o Major Lourival tinha regressado de avião da Capital, constando-me também o desaparecimento do infeliz Arabel. Em fins de maio, soube que o Levi passava por aqui de avião com autoridades policiais, com destino a Monte Azul, e que ali chegando, dissera publicamente que o Arabel apareceria vivo ou morto, dirigindo-se no mesmo dia em companhia do Prefeito José Arger, diretamente à minha fazenda de Olhos d’Água e ali em uma cisterna ou poço, encontrariam sem dificuldade o cadáver de Arabel, deixado transparecer claramente que ambos já eram sabedores, antecipadamente do sinistro plano, bem talvez concertado na Capital, com o duplo fim de imobilizar-me e companheiros por motivos políticos, como ainda para tranqüilidade do fratricida Levi Souza e Silva que por vezes dissera-me que protegia o Arabel, receoso de ser assassinado pelo mesmo, o que é notoriamente sabido. Sei de fonte fidedigna que quando chegou o Major Lourival a Monte Azul, com todo aparato bélico: pelotão de combate, metralhadoras, etc. e que tinha carta-branca, o Arabel, receoso de uma surpresa desagradável, telegrafou ao seu patrono em Belo Horizonte, que lá achava-se desde o assassinato de Totó, o célebre Levi, até hoje impune por tão bárbaro assassinato em cujo telegrama Arabel perguntava a Levi se não havia perigo contra ele por parte do Major, respondeu-lhe o Levi que pudesse ficar tranqüilo, que o Major ali estava especialmente para garantia de seus amigos, bem talvez já preparando a cilada contra o mesmo e outros. Ninguém de bom senso e sem paixão que me conhece, não pode conceber que eu, sem nenhum motivo, pois não éramos inimigos, ao contrário sempre mantivemos as melhores relações de amizade como provam minhas cartas dirigidas a Arabel, encontradas pelo Major em seu poder e que devem estar apensadas ao inquérito policial, o que é notoriamente sabido, fosse conivente no bárbaro assassinato do mesmo, e se por um ato de loucura eu concorresse para tal desgraça, que lamentei e sempre lamentarei, por certo não consentiria que pusessem o seu cadáver dentro de minha fazenda, em um poço ou cisterna rasa à beira da rodovia e do caminho que vai à casa da fazenda, onde consta que foi encontrado o cadáver. O meu implacável adversário Levi Silva vendo o seu prestígio político decaindo com sua exoneração de Prefeito de Monte Azul, explorando tal fato, procurou descarregar a responsabilidade criminal sobre meus ombros e de mais nove (9), digo oito (8), meus correligionários, sendo finalmente todos processados, aproveitando a situação de terror ali reinante para conseguirem os depoimentos falsos de testemunhas duvidosas e na ausência dos supostos criminosos Francisco Teles de Menezes e José Machado Gomes que residem nesta cidade. No dia 4 de junho de 1946, data que nunca me esquecerei, referindo completamente aos fatos de Monte Azul, pela manhã fui surpreendido com a chegada a minha residência de uma Sedan com 3 homens, que disseram ser um Dr. Orlando Moretzon, Delegado de Vigilância e 2 investigadores que convidaram-me a ir à Delegacia, tomando a Sedan rumo à Delegacia, ali deixaram-me à espera do Dr. Orlando, que tendo demorado horas, tentamos sair eu e José Machado Gomes, também convidado, porém não podíamos ir em casa almoçar, porque já estávamos detidos por ordem do citado Delegado, que só às 13 horas voltou, convidando-me a prestar meu depoimento sobre o assassinato de Arabel. Achava-me atacado com diversos furúnculos, sendo 2 grandes nas nádegas que impediam-me de ficar sentado muito tempo em cadeira dura e naquela hora (13) começou a perguntar e re-perguntar fatos que eu desconhecia, ameaçando-me de acareação com testemunhas que depuseram em Monte Azul ao talante do nosso perseguidor que revelou logo de início o seu instinto malvado, tudo fazendo para levar-me e mais 8 companheiros de política, como conseguiu, à cadeia, humilhando-nos. Depois de inúmeras perguntas daquela autoridade sobre o caso, às 18 horas deu como encerrado o interrogatório e ao levantar-me para sair, disse-me, satisfatoriamente, que já estava preso preventivamente, mandando-me recolher à cadeia, onde já estavam, sem que eu soubesse, Mozart e José Alkmim, pelo mesmo motivo, vindos de Monte Azul, conduzidos pelo mesmo Delegado. Consta-me que por ocasião do inquérito policial procedido em Monte Azul, presidia-o o Dr. Washigton, Delegado Regional, com completa imparcialidade e independência, ali dados à sua lisura de caráter, como assim não satisfazia aos Morubixabas dali, foi incontinente substituído por outro, creia que o Dr. Orlando é recolhido à Capital, onde chegando deram-lhe passe para seu regresso a Corinto ou Buenópolis, onde tinha família, e lá chegando foi sumariamente dispensado do cargo como penalidade de seu corretismo, não submetendo-se aos caciques daquela infeliz terra. Julgando importante para o nosso caso esse incidente com o Dr. Washington, que tem risos de verdade, acharia conveniente ouvi-lo a respeito, pois ele continua como Delegado, ignorando onde e o seu sobrenome, mas é fácil saber na Chefia. Consta-me que o inquérito policial foi feito em Monte Azul, sob um ambiente de terror sob assistência do cacique e fratricida Levi, que insinuava, subornava, ameaçava como fez com o meu vaqueiro João da Cruz, com promessa de livrá-los, contanto que me acusasse e aos demais, conseguindo afinal o seu intento mefistofélico, contando com o apoio das autoridades de seu credo político. Por duas vezes recorremos ao recurso do habeas-corpus, o primeiro a 4 de junho de 1946, que ficou prejudicado com as férias forenses e o 2º foi interrompido com a designação do sumário e nomeação do Juiz de Direito de Monte Azul Dr. Jamir Moacir de Castro e Silva que aqui chegou acompanhado de outras altas autoridades, sub-Procurador, Delegado civil, 1 oficial, pelotão de combate e 2 investigadores, seguindo eu com os demais acusados presos aqui, escoltados para Monte Azul, nos primeiros dias de agosto de 1946, às 2 horas da madrugada. Antes de relatar o caso do celebre sumário e da famosa sentença, parece inacreditável dizer que antes muito da chegada do Juiz de Direito aqui já sabíamos, antecipadamente, pelos áulicos de Levi, da sentença que seria aplicada a cada uma vítima da torpe calúnia que nos foi assacada pelo celebríssimo Levi e seus asseclas, o que infelizmente fora confirmado. Encerro aqui o meu parêntesis sobre o possuidor da Boceta de Pandora; voltando ao sumario e à sentença relâmpago. Em Monte Azul chegamos à tarde do mesmo dia e no dia seguinte fomos avisados que o sumário seria 3ª feira da semana seguinte, 3 ou 4 dias depois da chegada ali, no dia seguinte novo aviso do Juiz de Direito para domingo às 12 horas e no domingo cedo último aviso do Juiz para as 8 horas da manhã do domingo, a cuja hora comparecemos ao sumário, onde ficamos até as 12 horas, saindo para almoçar, voltando ao sumário às 13 horas até às 17 horas. No dia seguinte, (segunda-feira) voltamos ao sumário às 8 horas, ficando até 12 horas, saindo para o almoço, voltando ao sumário às 13 horas, sendo às 14 horas encerrado o sumário, depois que o Juiz de Direito recebeu um telefonema, ficando diversas testemunhas de defesa que não foram inquiridas o que prejudicou-nos bastante a nossa defesa. Na 3ª feira, ou no dia seguinte, às 15 horas, o Escrivão do Crime acompanhado pelo nosso advogado Dr. Alfredo Coutinho, foram à nossa casa, onde estávamos detidos, e ali emocionados leram em presença de todos os supostos réus a famosa sentença do Juiz de Direito, contra a qual recorreram os nossos advogados Drs. Alfredo Coutinho e Sidonio Pais Ferreira, para o Tribunal de Apelação de Minas: “A responsabilidade do Major Lourival Silveira” – É muito visível e significativo o interesse da irresponsabilidade do Major Lourival Silveira, no caso do assassinato de Arabel, ficando provado o que o mesmo dissera-me que tinha carta-branca para tudo, pois nas investigações policiais que em Monte Azul procederam sobre o caso, as vigorosas autoridades que foram ali, silenciaram sobre sua responsabilidade direta no crime, pois está exuberantemente provado que o Sargento Oliveira José da Rocha e o cabo José Candido de Lima, cumprindo a ordem daquela autoridade levaram o escoltado Arabel para a fazenda de Olhos d’água, de minha propriedade, onde fora assassinado. Por ocasião do aparatoso sumário de culta em Monte Azul, sobre o assassinato de Arabel, ao qual comparecemos, fui avisado para arranjar casa para hospedagem do Major Lourival e um oficial que o acompanharia, que de bom grado consegui, quando no dia do sumário fui surpreendido com a notícia que o Major havia telegrafado ao Juiz de Direito requerendo-o separação do processo e que deixava de comparecer por doente e que pos isso estava hospitalizado. Houve o sumário com a assistência minha de mais 7 denunciados e do Sargento Oliveira José da Rocha e do cabo José Candido de Lima, que também foram condenados, creio que à pena de 22 anos de prisão, os quais estão presos na Capital, no 1º Batalhão. O ano p. passado soube aqui que o mesmo Major Lourival fora de avião a Monte Azul em companhia do Tenente Coronel Altino, por mera formalidade, comparecendo em Juízo, constando-me que antes, o Major Lourival tivera uma demorada conferência a portas fechadas, com Levi Silva, no prédio da Prefeitura, onde funciona o Juiz de Direito da Comarca. Certamente dessa conferência entre ambos, norteia a irresponsabilidade criminal do Major Lourival, no caso em apreço, porque as testemunhas já estavam devidamente preparadas para a negativa, tanto que até hoje, que eu saiba, o Major Lourival não foi sequer pronunciado, pois embora o Levi não ignora o que o Major fez ao seu grande amigo Arabel, prendendo-o, martirizando-o e finalmente consumindo-o tragicamente, só interessa exclusivamente ao Levi que eu e meus companheiros políticos paguemos nos fundos de uma cadeia por um crime cometido por outros, só visando inutilizar-nos para não fazermos concorrência contra a sua nefasta política. A prova testemunhal em Monte Azul, desde que ela subordine-se aos interesses políticos ou pessoais do célebre Levi, não tem nenhum sabor jurídico, pois as testemunhas ali, com raras exceções, para sê-lo agradável e levadas pela timidez e covardia, transigem, mentem e caluniam, como no caso do famoso processo em que estamos envolvidos. – Montes Claros, 29 de agosto de 1948 – Francisco Teles de Menezes.


NOTA DO EDITOR: Divergências verificadas nos aspectos gramaticais e ortográficos, devem-se ao fato de a transcrição do texto ter obedecido criteriosamente o conteúdo original, gentilmente cedido pelo amigo Itajay.

TELEGRAMA DO CORONEL LEVY SILVA PARA O CORONEL MOACIR


Cópia do telegrama de 30 de abril de 1946,do Coronel Levi Souza e Silva para o seu irmão Coronel Moacir Antunes José Silva, por ocasião da intervenção do Governo do Estado de Minas Gerais,Dr.João Tavares Beraldo, Interventor Federal em 1946, com a designação de José Arger para assumir a Prefeitura de Monte Azul em substituição ao Prefeito Levi Souza e Silva, afastado do cargo por acusação de desmandos na região.



U R G E N T E

Cel Moacir,
Monte Azul

Recebi seu telegrama de hoje pt Governo muito contente comigo diante do meu desprendimento renunciando cargo para fazer cessar explorações em torno meu nome e no do Sr. Interventor pt Estou absolutamente prestigiado e projetado para ocupar cargo mais importância na política pt Prefeito nomeado moço distinto recebeu instruções agir inteiro acordo conosco pt Sua nomeação é de carater provisório pt Major Lourival grande fé ofício levou instruções manter ordem e não permitir que nossos inimigos hostilizem nossos amigos pt Portanto fiquem todos tranquilos e reclamem dele tudo quanto for preciso pt Devo dizer que nunca estive tão prestigiado pt Permanecerei na Capital por algum tempo por conveniência minha saúde e nossa política pt Continuarei como Presidente do Diretorio o qual depois de reorganizado poderá telegrafar Sr. Interventor reafirmando a ele inteira solidariedade afirmando que continua comigo pt Mostre este telegrama a todos os nossos amigos enviando cópias a todos os residentes fora da séde.
Abraços
Levi

LEI Nº 3442 - DE 28 DE SETEMBRO DE 1887


LEI Nº 3442 - DE 28 DE SETEMBRO DE 1887.

Crêa districtos de paz, transfere de umas para outras freguezias diversas fazendas, eleva à freguezia differentes districtos e contém a respeito outrs disposições.

O Dr. Luiz Eugenio Horta Barbosa, presidente da Provincia de Minas Geraes: Faço saber a todos os seus habitantes que a Assembléa Legislativa Provincial Decretou e eu Sanccionei a Lei seguinte:


Artigo 1
Parágrafo 9º: As divisas da freguezia de Nossa Senhora da Graça da Boa Vista do Tremedal começarão das cabeceiras do rio "Pajahu" na serra geral, pelo veio d'agua até a embocadura no rio "Rapadura" no logar denominado "Jacoipe"; por este abaixo até a embocadura no rio Paquy, no logar denominado "Tabatinga"; por este até a foz no rio Gorutuba; por este abaixo até a embocadura no rio Verde Grande; por este até a barra no rio Verde Pequeno; por este até a foz do corrego "Poço Triste"; d'ahi por este acima, até suas cabeceiras, em rumo direito a fazenda do "Gado Bravo"; desta ao logar denominado "Urubú"; d'ahi em rumo a Lagoa do Curral Velho, no São Pedro; seguindo em direcção ao morro do Pau d'Arco; deste aos Buracos, fazenda de Placido Cardoso, e d'ahi a barra do rio "Lameirão"; por este acima até suas cabeceiras; d'ahi em rumo direito ao corrego denominado "Gallinha" e das cabeceiras deste ao primeiro ponto, na serra geral.

Art. 2º Ficão revogadas as disposições em contrario.
Mando, portanto, a todas as Autoridades a quem o conhecimento, e execução da referida Lei pertencer, que a cumpram e façam cumprir tão inteiramente como nella se contém.
O Secretario desta Provincia a faça imprimir, publicar e correr. Dada no Palacio da Presidencia da Provincia de Minas Gerais aos vinte e oito dias do mez de setembro do Anno de Nascimento de Nosso Senhor Jezuz Christo de mil oitocentos e oitenta e sete, sexagesimo sexto da Independencia e do Imperio.
LUIZ EUGENIO HORTA BARBOSA
Sellada e publicada nesta secretaria aos 8 de outubro de 1887.
Servindo de secretario,
Pedro Queiroga Martins Pereira.
Fonte: Livro de Leis Mineiras Tomo LIV Parte 1ª Páginas 255 a 262.
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terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Carta do Coronel Levy em 02 de janeiro de 1947





O Coronel Levy sempre mantinha estreito contato por escrito, com os seus correligionários. A carta acima se refere ao seu apoio ao candidato a Governador de Minas Gerais, JOSE FRANCISCO BIAS FORTES, em 1947, quando foi derrotado por Milton Campos.

José Francisco Bias Fortes, nasceu em Barbacena(MG) aos 3 de abril de 1891 — E faleceu no Rio de Janeiro aos 30 de março de 1971. Foi prefeito de Barbacena, entre 1937 e 1945.
O resultado da eleição, na época foi: Milton Soares Campos (UDN), eleito com 448.073 votos e José Francisco Bias Fortes(PSD) derrotado com 388.207 votos.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Uma carga muito valiosa!!!


Nos idos de 1950,o Norte de Minas, sofreu com uma estiagem prolongada, onde vários habitantes e animais de zonas mais afastadas da sede de Monte Azul, morreram de sede, inanição ou de doenças e problemas de saúde causados pela seca. Os alimentos se tornaram bens escassos e acelerou o processo inflacionário, com a farinha, naqueles tempos um ítem básico na alimentação familiar e grande fonte de renda para os comerciantes locais, se tornando um produto altamente rentável. Um forte comerciante local prevendo um ganho rápido e seguro, foi à cavalo até Mato Verde, na época ainda um Distrito de Monte Azul, mas grande produtor de farinha, de boa qualidade e após longa procura e negociações trabalhosas, comprou a produção de diversos pequenos produtores, formando um volume bem grande, que completou uma carga de um caminhão. Alugou um cômodo em Mato Verde e ali depositou, trancado com uma boa fechadura e um possante cadeado, seu precioso produto, em sacas de sessenta quilos, com uma marca bem visível, pintando com tinta preta e muito bem visível,as inciais do seu nome e sobrenome, aguardando com segurança uma oportunidade apropriada de alugar um veículo para a preciosa carga, para o seu comércio em Monte Azul, onde a farinha se tornava mais procurada e consequentemente renderia mais lucro ao comerciante.
Mas aconteceu um imprevisto que o Comerciante não podia sequer ter imaginado. O Comerciante recebeu sua filha mais velha, que por sinal ainda é viva e mora no Centro da cidade de Monte Azul, que chega correndo afobada ao grande cômodo de comércio do pai que muito aflita lhe diz: Pai!!! Chegou aqui em Monte Azul um caminhão carregado de farinha e todos os sacos tem sua marca...Pai!!! A sua farinha está toda num caminhão lá na porta do sobrado do Manda-Chuva...
O velho comerciante, escolado pela vida, sofrido pelas surras da natureza que se chovia demais ou de menos, sempre tinha prejuizos, matreiro por ter rezado muitas orações em intenção dos muitos amigos que estavam no cemitério por se oporem às vontades e ações do Manda-Chuva da cidade!!! Só pediu à filha que retornasse para casa e nada mais falasse com ninguém a respeito, pois iria tomar as providências cabíveis.
No dia seguinte a filha do Comerciante que havia visto e testemunhado tudo, reclamou ao Pai Comerciante: Pai como é que o Senhor deixa por isso mesmo o ato do Manda-Chuva pegando à força a nossa farinha...
O velho Comerciante, diz para a filha: Meu amor, mais valioso que um caminhão de farinha, é a vida... Farinha eu posso trabalhar e comprar, mas a vida, essa minha filha, só dá uma safra e não há dinheiro que compre de volta. Eu perdi a carga de farinha mas estou vivo, aqui ao seu lado.
Ouvi esse caso, há poucos dia, da filha do Comerciante, que atuou no caso, e cá com meus botões voltei meus olhos para esses tempos de justiça e produção bem poucas em todo o interior do Brasil, mas riquíssimo em formas de se manter a vida e nosso Norte de Minas, não fugia à regra.

O Famoso Conselheiro de Monte Azul (Antigo)

Monte Azul, nos anos 60, tinha seus famosos conselheiros, sempre prontos a resolverem os problemas dos amigos e conterrâneos. Certa feita, uma vizinha deum desses conselheiros, pediu-lhe que ajudasse em um problema sério em sua vida. Seu esposo, estava "saltando a cerca" e de caso sério com uma sirigaita novinha próximo à sua casa. E isso a irritava, pois volta e meia estava na casa do Conselheiro, sempre a lastimar, reclamando da sorte de ter um marido tão ruim. Cada dia contava mais detalhado as indescências pecaminosas do marido, que já não escondia as marcas de baton e o cheiro de perfume barato que trazia, nos retornos dos encontros amorosos.
O Conselheiro viu a grande oportunidade de sua vida, pois a própria queixosa, procurou-lhe, para resolver o problema que já estava se tornando desagradável e público, pois as queixas se estendiam pelo bairro a fora. Calmamente o conselheiro disse: Olhe Dona Fulana, isso é não é muito dificil de resolver. A senhora vai conseguir uma faca nova, de boa qualidade, pequena mas de bom corte, amole bem direitinho, mas amole com carinho, com cuidado, até se tornar uma navalha com corte perfeito...A queixosa era todo ouvidos, nem piscava, olhando para a cara do Conselheiro, que sério e gesticulando ao tempo que entonava as sábias palavras, deixa transparecer que o problema seria solucionado...E o Conselheiro retorna: Após amolar com todo carinho a faquinha, guarde-a a num lenço bem limpinho e guarde no quarto de casal, na gaveta do guarda roupa, bem escondida prá ninguém ver...Nesse ponto, a mulher traída, nem respirava, seu coração estava batendo devagarinho, tamanha a emoção de resolver aquele problema que a atormentava, pois nada podia atrapalhar a compreensão total daquela bendita fórmula que iria dar fim ao seu sofrimento...O Conselheiro então concluiu: De noite quando seu marido chegar da orgia, espere ele dormir profundamente, tire a cueca dele e corte o pinto com saco e tudo. Aí Dona, eu garanto que ele nunca mais vai pular cerca...
A chifruda deu um pulo, saiu correndo da casa do Conselheiro bufando e xingando deus e o mundo...Nunca mais a cornuda falou e nem se queixou de nada. O Conselheiro ria quando lhe diziam da sua maldade, onde ele respondia: Ora o problema não era o homem e sim a mulher, que ficou curada, pois se quizesse resolver o problema ela já tinha se separado, uma vez que o marido sempre foi um irresponsável mulherengo. Agsora ela sabe que para viver com ele é aceitar os chifres...calada..Como faz após o conselho, que funcionou muito bem, ora se funcionou!!!

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

A vacina e o Aerodilma vão para o espaço...


A FOLHA publicou ontem, 10/12/2010 ás 21h16, sob o título: Lula veta ampliação de vacinas gratuitas na rede pública.

"Por sugestão do Ministério da Saúde, o presidente Lula vetou projeto de lei aprovado no Senado que tornava obrigatório a distribuição gratuita de cinco vacinas por meio do Sistema Único de Saúde."
E temos então a nova certeza que vacina para os brasileiros não tem. Mas o cambaleante e em estado terminal governo lula, vai com todas as forças:
1. Mudar os cálculos da Inflação, para iludir o povo;
2. Ressuscitar a famigerada CPMF;
3. Baixar os juros via decreto;
4. Criar superávit através de fraudes contábeis.
Sei que vc não duvida de mim. Até porque a tchurma de Brasília necessita de muita grana para comprar o novo AERODILMA (que o povão maldosamente já está chamando de VASSOURÂO da bruxa, adquirido pela bagatela de quinhentos milhões de reais,) Dentre as novidades, o AeroDilma vem equipado com um SPA, salas de relaxamento, massagem, drenagem linfática, limpeza de pele, manicure, pedicure, peeling e, claro, cirurgia plástica e botox para toda a comitiva. Um luxo!… E daí que é 5 vezes mais caro? O AeroDilma é tão chiquetérrimo que já foi aprovado até pela oposição. É obra prima de encanto dos petistas. Mas em qualquer pontinha de dúvida, aguardem e me conte.
Narciso.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

O CORONEL LEVY E O JUIZ DE GRÃO MOGOL

POR NARCISO GONÇALVES DIAS.

A última cidade em que trabalhei como funcionário do Banco do Brasil S.A., antes de minha aposentadoria, foi Grão Mogol, nas Minas Gerais. Trata-se de uma típica cidade mineira, com uma população simples, amistosa e sincera. Um lugar fácil de fazer amizades e ideal para quem gosta de uma boa prosa, que é meu caso. Logo fiz muitas amizades com pessoas de idade mais avançada, que ao saberem da minha terra natal, Monte Azul, logo puxavam assunto do Coronel Levi Souza e Silva. Sempre tinham um caso a contar da presença constante do Coronel e seu grupo de monteazulenses, dentre os quais excelentes músicos, políticos influentes e mulheres bonitas e elegantes que sempre promoviam em Grão Mogol, festas de gala que enchiam os olhos dos simples Grãmogolenses com o refinado gosto social e franco-monteazulense criado e mantido por Levi. Depois de aposentado, pesquisei com maior intensidade, os motivos que levavam a esse intercâmbio cultural, já que se trata de uma distância relativamente grande entre as duas cidades, além das péssimas estradas de ligação entre as duas comunidades. Daí é que pude perceber que se tratava de mais uma grande amizade conquistada pelo Coronel Levi de Souza e Silva. Na época o Juiz de Direito da Comarca de Grão Mogol era o Dr. Aníbal de Morais Quintão, que tinha uma verdadeira adoração pelo Coronel Levy, tratando-o como um filho. E era essa paternidade do Dr. Quintão que levava o Coronel a investir pesado em Grão Mogol, buscando diminuindo a tristeza do Dr. Quintão, que estava acostumado ao movimento de Nova Lima(MG), próximo a Belo horizonte e fora punido com sua transferência para uma cidade de menor porte e conforto. O Dr. Quintão teria cometido algumas atrocidades em Nova Lima, sendo algumas delas o estupro de uma menor de 17 anos e a ameaça de morte do Dr. Heraldo Lima. O Dr. Josefino de Carvalho, publicou na “Folha de Minas”, em 16 de dezembro de 1949, nona página, as seguintes informações que confirmam o supra dito: A PEDIDOS PORQUE O JUIZ DE GRÃO MOGOL REJEITOU O ADITAMENTO DE DENÚNCIA CONTRA O PREFEITO DE MONTE AZUL 1) Em dias de junho desembarca em Grão Mogol o Sr. Levi Souza e Silva com seu séquito de capangas, travestido de vereadores e testemunhas. Ia segundo ele, fazer uma justificação que na verdade tinha por único fito justificar a presença ali dos seus vinte asseclas, numa autêntica demonstração de força para intimidar as testemunhas que deporiam no dia 27. Numa das pensões que se hospedou parte da caravana, foram vistas armas de diferentes tipos e calibres. Tomando conhecimento de tais fatos, que em última análise, constituíam um insulto às finalidades pacíficas da justiça demonstrei ao Dr. Aníbal a minha estranheza, tendo ele me respondido que a “polícia não garantia a vida de ninguém”, justificando destarte a conduta lampionesca do prefeito fratricida. E naqueles dias, ninguém teve um companheiro tão assíduo de palestras quanto o Dr. Quintão, cujas deferências para com o indigitado assassino, tornadas públicas e notórias, ultrapassam de muito os limites que devem haver nas relações de um Juiz que se preza e um indivíduo suspeito da prática de crime. Naqueles dias indo a Montes Claros, telegrafei ao Dr. Quintão, pedindo-lhe o adiamento do sumário que ali deveria realizar dia 27. Tal telegrama não foi junto aos autos e, no entanto, numa esdrúxula petição feita pelo prefeito de Monte Azul , lá está o seu teor, embora maliciosamente alterado o seu sentido. Ora, através de quem senão do Dr. Aníbal, teve o Sr. Levi Souza e Silva conhecimento de tal telegrama? 2) Na mesma petição o Sr. Levi Souza e Silva por mais de três vezes, invoca em seu favor o conhecimento pessoal do Juiz, o que vem provar, insofismavelmente, a natureza um tanto cordial e íntima de suas relações. 3) No dia 14 de julho, desembarca novamente em Grão Mogol o Sr. Levi Souza e Silva, com uma caravana sensivelmente aumentada de setenta pessoas, mais ou menos. Desta vez para justificar a presença ali de tanta gente, usou-se de um novo artifício: o prefeito de Monte Azul, armado em Rei Cavaleiro, autêntico gentil homem da Távola Redonda, ia prestar uma homenagem ao burgo, fazendo-se acompanhar é claro, dos seus mais conhecidos palafreneiros e de um luzido e ruidoso cortejo de sanfoneiros e bailarinas. Por mera coincidência, tal como no cinema americano, no dia seguinte seriam ouvidas duas testemunhas cujo interrogatório não fora possível no dia 27 do mês findo. Naquela noite, sob os auspícios do prefeito de Monte Azul, houve no Fórum local um animado baile tendo o Juiz bebido e dançado o tempo todo, havendo até quem diga que aquelas horas memoráveis marcaram o início de um romancve entre o pseudo viúvo juiz de Grão Mogol e uma das mais belas flores do jardim monteazulense. 4) No dia seguinte, o Dr. Quintão que não dormira um só minuto e cuja bebedeira se prolongara indefinidamente, descobriu um meio cômodo de descanso: dormiu a sono solto em plena audiência, enchendo a sala com aquele ronco peculiar dos ébrios. A justiça despira assim a sua túnica branca para envergar o macacão enlameado de Marmeladoff: era o triunfo da Vodka sobre a Lei, do espírito do vinho sobre o espírito do magistrado. Pena, é que não tivéssemos naqulela hora uma máquina fotográfica a fim de documentarmos da maneira mais autêntica, tamanha degradação de um mister, que por sua natureza, exige ouvidos aguçados e olhar penetrante. Este quadro poderia levar entre outros nomes o seguinte: “A JUSTIÇA DORME”. 5) Alguns dias depois, foi preso pela eficiente polícia de Montes Claros, o criminoso Emílio de Souza Gomes, vulgo “Inhozinho” autor de um homicídio em Porteirinha e posteriormente denunciado como co-autor do assassínio do monteazulense Antonio de Oliveira Neto, pelo Dr. Promotor de Justiça de Uberlândia(MG). Interessava sobremaneira ao Sr. Levi Souza e Silva o depoimento de “Inhozinho”, pelo que foi o mesmo levado no automóvel da prefeitura de Monte Azul, para a Comarca de Grão Mogol, onde se desenrolava o seu processo. Em quatro dias apenas foi ele interrogado, sumariado, pronunciado e libelado, julgado e absolvido. Sempre com a eficaz colaboração do Dr. Aníbal, que na sessão do Juri, fez uma tão brilhante defesa do acusado que tornou quase que inóquo o trabalho desse grande pro0fissional da advocacia que é o Dr. Carlos Vaz de Melo Megale. Absolvido “Inhozinho”,revelou-se o verdadeiro propósito dessa vertigem processual: o Dr. Aníbal de Morais Quintão ordenou ex-ofício que fosse ele ouvido como testemunha do processo em que figura o Sr. Levi Souza e Silva, tão certo estava de que o seu testemunho acusando o próprio irmão já falecido, seria uma grande defesa para o seu “amigo” e correligionário político, o famigerado prefeito de Monte Azul. Felizmente entornou-lhes o caldo. Emílio de Souza Gomes não soube representar bem o seu papel de detrator da memória fraterna e o seu depoimento, longe de ser uma peça de defesas é uma tremenda peça de acusação. 6) E não é só. O Dr. Anibal de Morais Quintão tem declarado várias vezes, a pessoas de Grão Mogol que, enquanto for ele o Juiz da Comarca, nada sucederá ao Sr. Levi Souza e Silva. Este é um meio que ele encontra para hostilizar a Procuradoria Geral do Estado, a quem não perdoa por terem instaurado inquérito para apuração dos seus crimes em Nova Lima.Colocado em situação de franca revolta contra aqueles que lhe são superiores, o Dr. Aníbal já não tem medidas para os seus atos. Tanto lhe importa sumariar um criminoso na própria residência deste como o fez no distrito de Catuni, como abalar-se da sua Comarca para assistir à convenção do Partido Social Democrático em Pedra Azul. O que ele quer, conforme o disse na presença de vários rapazes de Montes Claros, é beber cachaça, para calar quem sabe, as vozes do seu passado. E no mais auxilia como pode os seus amigos, entre os quais se conta como figura de proa, o Sr. Levi Souza e Silva, o sofredor, a vítima inerme, cordeiro pascal, o eterno perseguido dos poderes publicos , só lhe restando para ser Cristo, deixar-se pregar numa cruz ante o escárnio da população. Engana-se, porém o juiz de Grão Mogol. Quando assumimos a responsabilidade de levar a termo o processo contra is assassubis de Antonio de Oliveira Neto, nós já conhecíamos de sobra a sua história e sabíamos perfeitamente que tal tarefa exigiria de nós atitudes extremas e vigilância permanente. Nós sabíamos que teríamos de nos defrontar com um juiz que se apropiara de mais de Cr$300.000,00 (Trezentos mil cruzeiros) alheios e que portanto, não merece a mínima confiança. De posse deste conhecimento temos seguido um poum dos seus passos cambaleantes. Dotados de uma infinita paciência, muita coisa assistimos e ouvimos de braços cruzados. Hoje porém, resolvemos violentar o silêncio para dizer que o Juiz de Grão Mogol, só não recebeu a denúncia contra o prefeito de Monte Azul por este simples fato: CRIMINOSOS AMBOS, CORRELIGIONÁRIOS POLÍTICOS, IDENTIFICADOS NO ÓDIO CONTRA AQUELES QUE PROCURAM APURAR AS SUAS MAZELAS, ELES SÃO MEMBROS DE UMA MESMA FAMÍLIA E, MAIS DO QUE O LAÇO DO SANGUE, UNE-OS INDISSOLUVELMENTE A CONSCIÊNCIA NÍTIDA DE SUA IGUALDADE MORAL. Estas, as verdadeiras razões da recusa do aditamento de denúncia. As outras, isto é, as razões de ordem jurídica que foram oferecidas, são apenas super estruturas, simples máscaras de papel que mal conseguem ocultar a hedionda fisionomia do mais estranho dos conúbios: entre a Justiça e o Crime. Porque a verdade é que ainda que fossem falsas todas as provas colhidas contra o prefeito de Monte Azul, uma só bastaria para levá-lo às barras do Tribunal. É aquele tremendo libelo deixado por Antonio de Oliveira Neto em sua caderneta de anotações diárias: “Se eu morrer por emboscada, fiquem todos sabendo que foi o Sr. Levi é quem mandou. Não tenho nenhum outro inimigo, a não ser ele, e mesmo assim gratuito, só porque votei no Brigadeiro. Ele é culpado por diversas mortes, como sejam, João de Tal, Florentino Teixeira, Antonio Teixeira, Leônidas de AL, morto em Gameleira e agora tem deveras sentimento só porque votei no Brigadeiro. Deus há de ter dó do povo deste município. Diante da palavra deste morto, do testemunho desse homem que realmente foi abatido pelas balas de um sicário, só mesmo as consciências empedernidas não se curvam e tem ainda o desplante de afirmar como o fez o Juiz de Grão Mogol que o processo contra o prefeito de Monte Azul é fruto de perseguição política. Eis porque, ao finalizar estas declarações deixo estampado aqui o meu veemente apelo a quem de dever, no sentido de ser afastado imediatamente do cargo que ocupa o Dr. Aníbal de Morais Quintão. Não daremos trabalho de arguí-lo de suspeito ou de promover a sua responsabilidade. Tais medidas nós as reputamos supérfluas, uma vez que já existe contra a sua pessoa inquérito regular, onde, segundo dissemos, foram apurados vários crimes que o incompatibilizam de maneira absoluta com as funções que exerce. O seu afastamento decorre necessariamente da existência desses crimes, o que torna praticamente dispensável o nosso esforço pessoal nesse sentido. Para nós, em face do exposto, o nosso dever é apenas este: O DE DENUNCIAR Á OPINIÃO PÚBLICA DE MINAS GERAIS A EXISTÊNCIA DE SEMELHANTE CHAGA NA NOSSA MAGISTRATURA. ATÉ QUANDO ESPERAREMOS PELO REMÉDIO? DR. JOSEFINO DE CARVALHO (firma reconhecida) Publicado na “Folha de Minas” , em 16 dedezembro de 1949 – Nona página.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

A secretária

Olívia é uma dita senhora, casada com Alfredo, mãe de dois filhos e trabalha de sol a sol. De dia presta serviços à Prefeitura do pequeno município e após o expediente, pega carona no ônibus escolar e se dirige ao seu lar, num povoado próximo à sede da cidade onde desempenha o papel de secretária, com minguados conhecimentos do ofício, mas o patrão não exige mais, pois também não oferece condições de capacitação. É um pagar pouco, exigir pouco e um finge que trabalha e o outro finge que está tudo às mil maravilhas.
Chegando ao trabalho a secretária sabe que ali tem um ambiente adequado para deixar sair do seu peito os acontecimentos diários e dar vazão a seu descontentamento da vida. É uma espécie de dois mundos. Um do trabalho, onde é paga para aplicar sua força de prestação de serviços, é respeitada como pessoa pelos colegas, o que compensa o desrespeito de como é tratada como servidora, tendo direitos reduzidos, mas também tem deveres qualitativa e quantitativamente reduzidos na mesma proporção. O que lhe fixou na mente uma tranqüila condição de que está tudo muito bom...
No mundo do lar, Olívia não entende como pode um ser humano não estar embevecido com as palavras do Pastor Fulano, um santo, um homem que mostra o caminho da salvação e da felicidade...Porque é que as pessoas não querem enxergar que a única forma de encontrar a salvação é seguindo os caros conselhos de Fulano. Sim senhor, caro, pois dos oitocentos reais mensais que Olívia recebe, o sagrado dízimo de oitenta reais é pago como forma de repor financeiramente a obra do Santo Pastor, que faz daquela pequena importância o passaporte para uma vida cada dia melhor. Os setecentos e vinte reais remanescentes, são distribuídos de maneira adequada:
1) Quatrocentos reais para o armazém( que oferece produtos baratos, de origem nem sempre confiáveis mas remarcados com preços pelo menos o dobro do valor de compra, que logo transformam o comerciante em pontencial candidato a prefeito da pequena comunidade. O comerciante sempre consegue passar a idéia de que está prestando um favor ao comprador, com tantos impostos , taxas, serviços , transporte e principalmente os etecéteras e tal. Que mesmo pagando muito mais caro, a infeliz Olívia sempre sai com essa impressão de ainda dever um imenso favor ao fornecedor).
2) Oitenta reais para a energia elétrica (Olívia sempre imagina como a graça do Paastor Fulano é grande, é o mesmo valor da luz elétrica, o preço que paga pela luz da eterna felicidade de ser crente), água não se paga, pois a água não é tratada e vem de uma barragem construída pela prefeitura local ( não é de boa qualidade, mas em compensação é oferecido pela Prefeitura o tratamento para as doenças contraídas pelo uso da água, pago com os altos impostos recolhidos por Olívia, além das seqüelas que ficam por conta das epidemias que assolam o pequeno lugar decorrente da falta de tratamento da água, mas para que preocupar com isso).
3) Cinqüenta reais são separados religiosamente para atender às ofertas do Pastor Fulano. Uma vez foi adquirida uma gravata santificada e ungida pelo Pastor, pela módica quantia de oitenta reais...Uma pechincha...é objeto de valor incalculável, imagina a bondade desse homem santo...Podia vender por duzentos reais, uma vez que já compra as gravatas a um real, tem tanto trabalho para santificar o produto e poderia ganhar muito dinheiro vendendo por um valor muito maior. Mas o santo homem vende por um preço justo. Compra por um e vende apenas por oitenta...É assim que a humanidade devia ser...Pelo menos é o pensamento de Olívia. Outro dia esse homem santo colocou à venda cento e cinqüenta mil anéis santificados. Adquiridos na Vinte e Cinco de Março a dois reais e vendidos a cento e cinqüenta reais. Lógico que Olívia adquiriu o anel...Não se vai ao céu sem o anel...Isso é coisa que está escrita nos mandamentos de um bom crente, não há como contestar.... Frequentemente o bom crente, como Olívia tem que se ir até São Paulo para participar dos cultos do Pastor e para que se compre as novidades ali expostas na Santa Loja, que vão desde DVD’s, CD’s, fitinhas, pôsteres e uma série de quinquilharias, todas ungidas e santificadas pelo Santo Fulano. O Pastorque jamais remarca os produtos acima de cem vezes o preço de custo. Essas viagens são pagas em prestações mensais, que Olívia não pestaneja. Saiu o pagamento tem que pagar a passagem...Isso é religião.
A empresa de turismo que promove essas viagens santas combram um preço maior do que os ônibus convencionais, pois não oferecem nenhum conforto aos penitentes, além de serem irregulares para com os órgãos de fiscalização de traqnsporte, motivo que leva a fazerem longas paradas para despistar dos fiscais e noutras oportunidades são apreendidos pela fiscalização, levando os passageiros a mais uma longa penitência de mudar de condução com toda a sua bagagem até um lugar próximo ao ponto onde o veículo foi apreendido, até que o dono da empresa providencie novo meio de levar os romeiros até o seu destino. Mas todos sabem que isso é apenas uma provação e quanto maior for o sacrifício maior será a recompensa na outra vida. Pelo menos é o que a guia de turismo, que recebe trinta por cento do valor das passagens a título de prestação de serviços turísticos além do tratamento diferencial nos pontos de parada dos ônibus, onde dá preferência aos donos de lanchonetes que além de não cobrar da Guia de Turismo e dos motoristas, ainda recebem tratamento de condutores de boiada...Já os passageiros, tem o direito de ter incluído em suas despesas as mordomias dos tripulantes dos ônibus. Mas isso é apenas um detalhe, Olívia não perde tempo para pensar nessas coisinhas à toa.
4) Trinta reais é pago pelo leite das crianças. São dois filhos que tomam um litro de leite por dia. O leite é vendido pelo Sr. Zé de Lerinha. Que tem um rio de águas barrentas no fundo da propriedade e sempre lava o leite com essa água. O que transforma os vinte litros que obtém na propriedade em sessenta litros. Perguntaram a Zé de Lerinha, como ele consegue tirar sessenta litros de apenas três vacas velhas e maltratadas. Ele sempre responde que são os milagres de Deus e a fé que tem em Nossa Senhora da Aparecida, tira o chapéu, se benze...E tome água no leite...
5) Com esses cinco ítens já são seiscentos e quarenta reais, ainda restam cento e sessenta reais, do salário. O material escolar dos filhos é adquirido em doze pagamentos mensais de trinta reais. Olívia estava pensando um dia como se explicar que está escrito na Constituição Brasileira que é um direito de todo cidadão o acesso à educação. Ora como é que pode cobrar alguma coisa por um direito previsto na Constituição!!! ...Olívia não encontrou resposta...Mas isso é apenas preocupação à toa...Vamos em frente.
6) O aluguel da casa de Olívia é exatamente os cento e trinta reais que restaram. O pacotinho de dinheiro é entregue ao dono do acanhado imóvel onde Olívia descansa com o marido e os dois filhos. O imóvel foi adquirido por cinco mil reais, que o dono tinha na poupança, rendendo-lhe trinta reais, pago pelo banco, mensalmente. Já o imóvel lhe dá cento e trinta reais por mês (mais de quatro vezes o rendimento da poupança) além da valorização do imóvel...
Existem muitas dúvidas na cabeça de Olívia, uma é o porque muitas pessoas teimam em permanecer na religião católica que gasta tanto com fogos de artifícios para celebrar seus santos de devoção. Porque celebram santos em vez de celebrarem apenas o chefe de sua religião. São coisas que Olívia não consegue explicação. Porque ouvem um padre explicar como formar e manter uma família se ele não tem experiência de como é chefiar uma. Outra grande dúvida de Olívia é como tem tanta violência na bíblia e as pessoas acham ruim quando o mundo descamba numa violência menor nos dias de hoje. Pois na atualidade se matam apenas alguns milhares de pessoas e na bíblia já varreram da face da terra toda a vida existente, na época do dilúvio...Mas Olívia muda o pensamento para os pés no chão...ora e diz ora estou pensando besteira. Vou colocar um copo d’água em cima da televisão e o Pastor Fulano vai benzer para que ao tomar essa água eu fique purificada desses pensamentos sem nexo.

Narciso

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Monte Azul, Minas gerais, Brazil
Pretenso criador de um sítio com a história de Monte Azul.

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