
22 de novembro
O REINADO DE MARIA ROSÁRIA, A RAINHA NEGRA. Em seu pequeno reino da Boa Vista do tremedal.
Na seca de 1819, o Capitão Joaquim Fernandes dos Anjos, autorizado por sua sogra Maria Rosária e auxiliado por outros, construiu a igreja, dedicada a Senhora da Graça. Ao redor da igreja iniciou logo a edificação de casas, que se transformou no arraial de Boa Vista do Tremedal. O Português Pompéo morreu assassinado no meio do mato ermo, foragido, cercado de escravos seus, por gente de um seu inimigo, em conseqüência de questões sobre terras. Maria Rosária, contam, antes de vir para Tremedal residira em Boqueirão do Parreira, hoje arraial, e sede do distrito mais austral de Monte Alto, Estado da Bahia. O atual município de Monte Alto, Estado da Bahia, começou a povoar-se regularmente, na primeira metade do século XVIII. A igreja de Monte Alto, sob a invocação de Nossa Senhora Mãe dos Homens, foi construída em 1739 por Francisco Pereira de Barros, o legendário Pereirinha do Sertão Bahiano . Segundo a tradição, D. João IV, Rei de Portugal, doou a Pedro Garcia de Ávila do Assu da Torre, perto da capital da Bahia, mais de cem léguas de terras na margem do Rio São Francisco. Garcia de Ávila, homem de grandes haveres e dotado de gênio explorador, querendo colonizar essa terras, formando núcleos de população, mandava para o sertão escravos seus e colonos lusitanos, acompanhados de padres jesuítas encarregados da catequese do gentio, a estabelecer fazendas de criação e de lavoura em lugares apropriados e, nestas capelas para divulgação do cristianismo. Nos lugares onde houvesse aldeamento de índios seriam empregados todos os esforços para convertê-los à religião católica, eliminando toda e qualquer referência religiosa até então praticada pelos indígenas e então os povoados eram estabelecidos como povoados regulares com base numa formação totalmente cristã. Assim foram fundadas importantes fazendas de criação na margem do São Francisco e erguidas mesmo tanto de capelas de construção sólida para impor a fé. Cada Fazenda era regida por um administrador de confiança : Pereirinha foi um deles. A princípio administrou a Fazenda da Boa Vista, tornando-se depois por compra aos herdeiros do senhor do Assu da Torre, dono das terras férteis da margem direita do Nilo Brasileiro à serra do Monte Alto, aonde teve diversas fazendas com grande criação de gado e labvoura (1715 a 1740). Não só essas terras como gados e numerosa escravatura, Pereirinha legou em testamentoà Senhora Mãe dos Homens de Monte Alto, ficando todos os bens sob a administração de um dos seus herdeiros. Com a lei que acabava com os bens pertencente a Suntauric, os descendentes do testador, querendo apossar-se da importante herança deixada à Senhora de Monte Alto, travaram entre si uma demanda célebre, no correr da qual, por sentença, ficou provado que existiam somente quatro herdeiros que formavam o vínculo de familia, passando então todos os bens ao seu domínio (1841). Pereirinha era português; deixou diversos filhos, sendo mais notáveis Jose´Pereira de Barros, Pedro Gonçalves e o ministro Phelipe. Faleceu João Amaro quando voltava da Bahiua com as imagens da Senhora Mãe dos Homens e senhor Boa Morte para a igreja de Monte Alto (1740). Essas imagens acham-se na sobredita igreja. São elas em tanho natural, e os escravos do Pereirinha troxeram-nas cuidadosamente em redes ao ombro desde São Félix até Monte Alto, numa distância de mais de cem léguas. O tradicional burgo baiano onde repousam os restos de Pereira de Barros, hoje servido pela Estrada de Ferro Central da Bahia, é o antigo arraial fundado por Gabriel Soares, que, em 1592, partiu à frente de uma famosa expedição rumo ao encantado sertão das Esmeraldas. Depois ficou chamando-se João Amaro, pela circunstância de ai se ter alojado o famigerado paulista desse nome, da feita que foi guerrear os índios insurretos no Rio Grande, no Ceará(1525). Em Tremedal foram espalhando numerosas ruas estreitas e desalinhadas, sendo a falta de arte, em tudo a nota predominante. Por este tempos, veio da Bahia a estas plagas, pregando missão, o mais famoso dos missionários que têm andado por este sertões, o frei Clemente. Narra a lenda popular eu o frei Clemente do púlpito do Tremedal verberava amiudamente com a sua vibrante palavra de que era dotado os torpes e maus costumes da época e da terra que desbravava, semeando a palavra divina, ao lado das palavras que visavam atingir os seus interesses pessoais. Maria Rosária, mulher luxuosa e influente, em cuja cabeça assentava tantas carapuças, ressentiu-se da linguagem eloqüente, persuasiva, declaratoriamente mesclada de anatomas estigmatizando veementemente aos revéis infratores dos preceitos católicos e que encerrava todavia, conselhos duvidosos. Acabada a missão o afamado monge encaminhou-se para o rio Pardo, depois de tocante despedida. Acompanharam-no, como triunfador glorioso dezenas de pessoas solícitas, que não cansavam de lhe ouvir a palavra ora meiga ora tempestuosa arrebatando as gentes, entre as quais Maria Rosária, que possuía Fazendas pela estrada. Essa mulher, continua a lenda, para vingar-se do terrível padre desbocado e atrevido, que tanto a magoara no seu amor próprio, desgastando a sua liderança local e sua fama temida pelos subservientes moradores de Tremedal, que preferiram abandoná-la e prostarem-se nos braços do pároco. Num sítio em que pernoitaram, a caminho de Rio Pardo, frei Clemente teve de celebrar, como de costume, ao romper da estrela Dalva. Depous de beber do cálice consagrado sentiu seus lábios impregnados da vingança de Maria Rosária, o padre percebe que sua tentativa de derrubar Maria Rosária, tinha dado errado, pois o vinho da missa estava envenenado. Além de ter doado as terras e construído a igreja, o padre queria muito mais de Maria Rosária, e a valente mullher não se curvou aos interesses da igreja, eliminando o desbocado e falso moralista, que queria as terras Tremedalenses para seus apadrinhados, como era de costume naquele tempo. A primitiva capela do Tremedal pode ser que fosse construída antes de 1819 e, nesse ano, ampliada ou consertada por Joaquim Fernandes dos Anjos. E é mais provável que em 1819, ano que foi seco e carestioso e no qual dizem, se construiu a igreja supradita. Tremedal tinha já capela e um bom número de casas tudo de enchimento, segundo o primeiro sistema de construção sertaneja. E já devia te-las por ocasião da visita de frei Clemente, missionário que deu com os burros n'água, ao humilhar Maria Rosária, cuja disputa de poder entre a fazendeira e o padre se tornou o acontecimento mais notável dos primeiros tempos de Tremedal (1791-1819). A derradeira missão de frei Clemente provavelmente teve lugar em 1793 ou em 1806. Não há data precisa registrada desses feitos.
MARIA ROSÁRIA, A RAINHA NEGRA.
Maria Rosária, no último quartel do século XVIII, era amante do Português Pompéo e dona das terras do Tremedal, Pernambuco e seus arredores, foi quem fundou a cidade de Boa Vista do Tremedal, na Provìncia de Minas Gerais, que mais tarde viria a se chamar Monte Azul, Estado de Minas Gerais. Maria Rosária Pereira da Rocha, mulher varonil e empreendedora, desenvolta e rica, doou á Maria Santíssima, um pedaço do terreno a fim de nele se levantar uma igreja, a base principal para a fundação do futuro arraial, que erguer-se-ia em pleno sertão virgem e bravio, longe do bulício do mundo, no meio da graciosa verdura do chão lamacento e salino do vale fecundo, augusto e fundo do Tremedal, cingindo de colinas floridas, fitando as grandes alturas escarpadas da Serra Geral, mais da Sela Gineta, brilhando, reverberando, aos raios do astro de ouro, lembrando o sol da África, sob a nesga imensa do céu alto, admiravelmente lindo, sem horizontes. MARIA ROSÁRIA, comprando à casa do Conde da Ponte, grande parte das terras situadas entre a Sela Gineta (popular Serra Ginete) e a Serra Geral, por ventura desde o riacho da Volta aos gerais de Santo Antoninho, terreno salubre, fértil, cheio de salinas, coberto de bosques soberbos, abundantes em caça, tendo outros requisitos prórpios para fazer uma vida tranqüila e feliz, estabeleceu-se no sítio que se tratava de um baixio argiloso, lamarentyo, embrejado, formando um paul em uma volta do ribeiro, solo esse que em não pequena extenso tremia sob os pés(daí o nome de Tremedal). Lugares assim, isto é apaulados e salinos, eram nas caatingas, os de preferncia escolhidos pelos antigos para seus estabelecimentos, com o intuito de , nos brejos, cultivarem a cana, o arroz, os legumes,e nos altos a mandioca, o milho, o algodão, cuidando ao mesmo tempo da criação das espécies domésticas. O Tremedal de Maria Rosária oferecia então todas as condições exigidas para se criar uma família e prosperar como boa empresária que era. MARIA ROSÁRIA, dizem, era uma negra de gênio forte, muito laboriosa, não se sabendo ao certo se era africana ou brasileira, vivendo em um tempo de preconceitos fatais sobre a mulher, a negra, a opção de vida conjugal livre, a riqueza num ambiente de extrema pobreza, Em síntese Maria Rosária era alvo fácil para tudo e todos, principalmente a igreja, que sofria de baixas gritantes de fuga de fiéis para a novidade do protestantismo criado por Lutero, Calvino e o Rei Henrique VII. Possuiu avultatados bens de fortuna, e deu as cartas no antigo Tremedal. Viveu amancebada com o português Pompéo, dominando-o completamente. A vida conjugal de Maria Rosária tranformou-se em uma luta, tranformando-se em uma estrategista hábil, para driblar a todos e seguir em frente, formando uma família, que concebeu apenas uma filha, que se casou com Joaquim Fernandes dos Anjos e dessa união deu a Maria Rosária um neto chamado Manuel Fernandes dos Anjos, o Manoel Bonito, líder político de Tremedal. O português Pompéo foi, certamente, um dos primeiros colonizadfores do território do atual município; mas as terras do Tremedal eram de Maria Rosária, assim reza a tradição oral, confirmada pelos velhos títulos de transmissão de propriedade.
Entrevista: Eunice Durham===Fábrica de maus professores======Uma das maiores especialistas em ensino superior brasileiro, a antropóloga não tem dúvida: os cursos de pedagogia perpetuam o péssimo ensino nas escolas (VALE A PENA LER)
"Os cursos de pedagogia desprezam a prática da sala de aula e supervalorizam teorias supostamente mais nobres. Os alunos saem de lá sem saber ensinar" Hoje há poucos estudiosos empenhados em produzir pesquisa de bom nível sobre a universidade brasileira. Entre eles, a antropóloga Eunice Durham, 75 anos, vinte dos quais dedicados ao tema, tem o mérito de tratar do assunto com rara objetividade. Seu trabalho representa um avanço, também, porque mostra, com clareza, como as universidades têm relação direta com a má qualidade do ensino oferecido nas escolas do país. Ela diz: "Os cursos de pedagogia são incapazes de formar bons professores". Ex-secretária de política educacional do Ministério da Educação (MEC) no governo Fernando Henrique, Eunice é do Núcleo de Pesquisa de Políticas Públicas, da Universidade de São Paulo – onde ingressou como professora há cinqüenta anos. Sua pesquisa mostra que as faculdades de pedagogia estão na raiz do mau ensino nas escolas brasileiras. Como? As faculdades de pedagogia formam professores incapazes de fazer o básico, entrar na sala de aula e ensinar a matéria. Mais grave ainda, muitos desses profissionais revelam limitações elementares: não conseguem escrever sem cometer erros de ortografia simples nem expor conceitos científicos de média complexidade. Chegam aos cursos de pedagogia com deficiências pedestres e saem de lá sem ter se livrado delas. Minha pesquisa aponta as causas. A primeira, sem dúvida, é a mentalidade da universidade, que supervaloriza a teoria e menospreza a prática. Segundo essa corrente acadêmica em vigor, o trabalho concreto em sala de aula é inferior a reflexões supostamente mais nobres. Essa filosofia é assumida abertamente pelas faculdades de pedagogia? O objetivo declarado dos cursos é ensinar os candidatos a professor a aplicar conhecimentos filosóficos, antropológicos, históricos e econômicos à educação. Pretensão alheia às necessidades reais das escolas – e absurda diante de estudantes universitários tão pouco escolarizados. O que, exatamente, se ensina aos futuros professores? Fiz uma análise detalhada das diretrizes oficiais para os cursos de pedagogia. Ali é possível constatar, com números, o que já se observa na prática. Entre catorze artigos, catorze parágrafos e 38 incisos, apenas dois itens se referem ao trabalho do professor em sala de aula. Esse parece um assunto secundário, menos relevante do que a ideologia atrasada que domina as faculdades de pedagogia. Como essa ideologia se manifesta? Por exemplo, na bibliografia adotada nesses cursos, circunscrita a autores da esquerda pedagógica. Eles confundem pensamento crítico com falar mal do governo ou do capitalismo. Não passam de manuais com uma visão simplificada, e por vezes preconceituosa, do mundo. O mesmo tom aparece nos programas dos cursos, que eu ajudo a analisar no Conselho Nacional de Educação. Perdi as contas de quantas vezes estive diante da palavra dialética, que, não há dúvida, a maioria das pessoas inclui sem saber do que se trata. Em vez de aprenderem a dar aula, os aspirantes a professor são expostos a uma coleção de jargões. Tudo precisa ser democrático, participativo, dialógico e, naturalmente, decidido em assembléia. Quais os efeitos disso na escola? Quando chegam às escolas para ensinar, muitos dos novatos apenas repetem esses bordões. Eles não sabem nem como começar a executar suas tarefas mais básicas. A situação se agrava com o fato de os professores, de modo geral, não admitirem o óbvio: o ensino no Brasil é ainda tão ruim, em parte, porque eles próprios não estão preparados para desempenhar a função. Por que os professores são tão pouco autocríticos? Eles são corporativistas ao extremo. Podem até estar cientes do baixo nível do ensino no país, mas costumam atribuir o fiasco a fatores externos, como o fato de o governo não lhes prover a formação necessária e de eles ganharem pouco. É um cenário preocupante. Os professores se eximem da culpa pelo mau ensino – e, conseqüentemente, da responsabilidade. Nos sindicatos, todo esse corporativismo se exacerba. Como os sindicatos prejudicam a sala de aula? Está suficientemente claro que a ação fundamental desses movimentos é garantir direitos corporativos, e não o bom ensino. Entenda-se por isso: lutar por greves, aumentos de salário e faltas ao trabalho sem nenhuma espécie de punição. O absenteísmo dos professores é, afinal, uma das pragas da escola pública brasileira. O índice de ausências é escandaloso. Um professor falta, em média, um mês de trabalho por ano e, o pior, não perde um centavo por isso. Cenário de atraso num país em que é urgente fazer a educação avançar. Combater o corporativismo dos professores e aprimorar os cursos de pedagogia, portanto, são duas medidas essenciais à melhora dos indicadores de ensino. A senhora estende suas críticas ao restante da universidade pública? Há dois fenômenos distintos nas instituições públicas. O primeiro é o dos cursos de pós-graduação nas áreas de ciências exatas, que, embora ainda atrás daqueles oferecidos em países desenvolvidos, estão sendo capazes de fazer o que é esperado deles: absorver novos conhecimentos, conseguir aplicá-los e contribuir para sua evolução. Nessas áreas, começa a surgir uma relação mais estreita entre as universidades e o mercado de trabalho. Algo que, segundo já foi suficientemente mensurado, é necessário ao avanço de qualquer país. A outra realidade da universidade pública a que me refiro é a das ciências humanas. Área que hoje, no Brasil, está prejudicada pela ideologia e pelo excesso de críticas vazias. Nada disso contribui para elevar o nível da pesquisa acadêmica. Um estudo da OCDE (organização que reúne os países mais industrializados) mostra que o custo de um universitário no Brasil está entre os mais altos do mundo – e o país responde por apenas 2% das citações nas melhores revistas científicas. Como a senhora explica essa ineficiência? Sem dúvida, poderíamos fazer o mesmo, ou mais, sem consumir tanto dinheiro do governo. O problema é que as universidades públicas brasileiras são pessimamente administradas. Sua versão de democracia, profundamente assembleísta, só ajuda a aumentar a burocracia e os gastos públicos. Essa é uma situação que piorou, sobretudo, no período de abertura política, na década de 80, quando, na universidade, democratização se tornou sinônimo de formação de conselhos e multiplicação de instâncias. Na prática, tantas são as alçadas e as exigências burocráticas que, parece inverossímil, um pesquisador com uma boa quantia de dinheiro na mão passa mais tempo envolvido com prestação de contas do que com sua investigação científica. Para agravar a situação, os maus profissionais não podem ser demitidos. Defino a universidade pública como a antítese de uma empresa bem montada. Muita gente defende a expansão das universidades públicas. E a senhora? Sou contra. Nos países onde o ensino superior funciona, apenas um grupo reduzido de instituições concentra a maior parte da pesquisa acadêmica, e as demais miram, basicamente, os cursos de graduação. O Brasil, ao contrário, sempre volta à idéia de expandir esse modelo de universidade. É um erro. Estou convicta de que já temos faculdades públicas em número suficiente para atender aqueles alunos que podem de fato vir a se tornar Ph.Ds. ou profissionais altamente qualificados. Estes são, naturalmente, uma minoria. Isso não tem nada a ver com o fato de o Brasil ser uma nação em desenvolvimento. É exatamente assim nos outros países. As faculdades particulares são uma boa opção para os outros estudantes? Freqüentemente, não. Aqui vale a pena chamar a atenção para um ponto: os cursos técnicos de ensino superior, ainda desconhecidos da maioria dos brasileiros, formam gente mais capacitada para o mercado de trabalho do que uma faculdade particular de ensino ruim. Esses cursos são mais curtos e menos pretensiosos, mas conseguem algo que muita universidade não faz: preparar para o mercado de trabalho. É estranho como, no meio acadêmico, uma formação voltada para as necessidades das empresas ainda soa como pecado. As universidades dizem, sem nenhum constrangimento, preferir "formar cidadãos". Cabe perguntar: o que o cidadão vai fazer da vida se ele não puder se inserir no mercado de trabalho? Nos Estados Unidos, cerca de 60% dos alunos freqüentam essas escolas técnicas. No Brasil, são apenas 9%. Por quê? Sempre houve preconceito no Brasil em relação a qualquer coisa que lembrasse o trabalho manual, caso desses cursos. Vejo, no entanto, uma melhora no conceito que se tem das escolas técnicas, o que se manifesta no aumento da procura. O fato concreto é que elas têm conseguido se adaptar às demandas reais da economia. Daí 95% das pessoas, em média, saírem formadas com emprego garantido. O mercado, afinal, não precisa apenas de pessoas pós-graduadas em letras que sejam peritas em crítica literária ou de estatísticos aptos a desenvolver grandes sistemas. É simples, mas só o Brasil, vítima de certa arrogância, parece ainda não ter entendido a lição. Faculdades particulares de baixa qualidade são, então, pura perda de tempo? Essas faculdades têm o foco nos estudantes menos escolarizados – daí serem tão ineficientes. O objetivo número 1 é manter o aluno pagante. Que ninguém espere entrar numa faculdade de mau ensino e concorrer a um bom emprego, porque o mercado brasileiro já sabe discernir as coisas. É notório que tais instituições formam os piores estudantes para se prestar às ocupações mais medíocres. Mas cabe observar que, mesmo mal formados, esses jovens levam vantagem sobre os outros que jamais pisaram numa universidade, ainda que tenham aprendido muito pouco em sala de aula. A lógica é típica de países em desenvolvimento, como o Brasil. Por que num país em desenvolvimento o diploma universitário, mesmo sendo de um curso ruim, tem tanto valor? No Brasil, ao contrário do que ocorre em nações mais ricas, o diploma de ensino superior possui um valor independente da qualidade. Quem tem vale mais no mercado. É a realidade de um país onde a maioria dos jovens está ainda fora da universidade e o diploma ganha peso pela raridade. Numa seleção de emprego, entre dois candidatos parecidos, uma empresa vai dar preferência, naturalmente, ao que conseguiu chegar ao ensino superior. Mas é preciso que se repita: eles servirão a uma classe de empregos bem medíocres – jamais estarão na disputa pelas melhores vagas ofertadas no mercado de trabalho. A tendência é que o mercado se encarregue de eliminar as faculdades ruins? A experiência mostra que, conforme a população se torna mais escolarizada e o mercado de trabalho mais exigente, as faculdades ruins passam a ser menos procuradas e uma parte delas acaba desaparecendo do mapa. Isso já foi comprovado num levantamento feito com base no antigo Provão. Ao jogar luz nas instituições que haviam acumulado notas vermelhas, o exame contribuiu decisivamente para o seu fracasso. O fato de o MEC intervir num curso que, testado mais de uma vez, não apresente sinais de melhora também é uma medida sensata. O mau ensino, afinal, é um grande desserviço. A senhora fecharia as faculdades de pedagogia se pudesse? Acho que elas precisam ser inteiramente reformuladas. Repensadas do zero mesmo. Não é preciso ir tão longe para entender por quê. Basta consultar os rankings internacionais de ensino. Neles, o Brasil chama atenção por uma razão para lá de negativa. Está sempre entre os piores países do mundo em educação. Postado por Aluizio Amorim
21 de novembro
AULA DE SOCIOLOGIA POLÍTICA PARA CRIANÇAS BRASILEIRAS
Pai, eu preciso fazer um trabalho para a escola! Posso te fazer uma pergunta? Claro, meu filho, qual é a pergunta? O que é política no Brasil, pai? - Bem, política envolve: o Povo; o Governo do Presidente Lula que é o Poder econômico;a Classe trabalhadora e o Futuro do Brasil. Não entendi. Dá para explicar? -Bem, vou usar a nossa casa como exemplo: Sou eu quem traz dinheiro para casa, então eu sou o poder econômico. Sua mãe administra, gasta o dinheiro, então ela é seria o governo do Lula. Como nós cuidamos das suas necessidades, você é o povo. Seu irmãozinho é o futuro do Brasil e a Zefinha, babá dele, é a classe trabalhadora. Entendeu, filho? - Mais ou menos, pai. Vou pensar. Naquela noite, acordado pelo choro do irmãozinho, o menino, foi ver o que havia de errado. Descobriu que o irmãozinho tinha sujado a fralda e estava todo emporcalhado. Foi ao quarto dos pais e viu que sua mãe estava num sono muito profundo. Foi ao quarto da babá e viu, através da fechadura, o pai na cama com ela. Como os dois nem percebiam as batidas que o menino dava na porta, ele voltou para o quarto e dormiu. Na manhã seguinte, na hora do café, ele falou para o pai: -Pai, agora acho que entendi o que é política. - Ótimo filho! Então me explica com suas palavras. - Bom, pai, acho que é assim: Enquanto o poder econômico fode a classe trabalhadora, o governo do Presidente Lula dorme profundamente, dizendo não saber de nada. O povo é totalmente ignorado e o futuro do país fica na merda!!!
20 de novembro
Nada detém a ciência que turbina o capitalismo
Enquanto a grande imprensa internacional promove louvações diárias à vitória de Obama, pautada incessantemente pelo politicamente correto e quando nas repúblicas bananeiras intelectuais de araque proclamam que o capitalismo acabou em virtude da crise financeira, a ciência prossegue seu caminho. Nos laboratórios e centros de pesquisa os verdadeiros cientistas avançam no conhecimento que, mais adiante poderá mitigar os desvarios cometidos pela horda de mais de 6 bilhões de seres humanos que habitam o planeta. Os esquerdistas, remanescentes dinossauros da guerra fria, saudosos da estupidez comuno-fascista podem vaticinar o fim do capitalismo, entretanto, tal premonição não passa de uma tremenda idiotice e perda de tempo. O mundo não caminhará jamais para o passado. A ciência moderna, vazada na racionalidade, só cessará de descortinar o novo quando o planeta sofrer uma hecatombe, que bem pode se dar no momento em que a Terra colida com um potente asteróide. E isto não é conversa mole, é uma probabilidade real. Agora mesmo estava lendo a respeito da criação de uma internet interplanetária que, evidentemente, será geradora de novos negócios e novas empresas capitalista, sim, sim, já operando em nível espacial. É isso aí. Em certa medida, os cientistas americanos já colocaram o novo experimento em ação – sim americanos da NASA, ou alguém poderia supor que fossem da China, de Cuba, do Brasil ou da Venezuela? Com ou sem Barack Obama e Bin Laden, nada deterá o capitalismo turbinado cada vez mais pelo avanço científico, cuja aplicação prática resulta naquilo que se conhece como tecnologia e que você está usando neste exato momento em que lê este blog. Não é à toa que tiranos de todos os matizes ideológicos, bem como as religiões, sempre gostaram de queimar nas fogueiras os filósofos e os cientistas. Mas não há quem possa contra deter a ciência e, muito menos, o capitalismo. Não adianta espernear, galera. Nada existe fora dos fatos. O “dever ser” só tem utilidade em bate-papo de botecos e para embasar o que escrevem os cronistas que se ocupam em fazer profecias para o passado. Dia desses li por aí num jornal um cronista que se dizia, cheio de orgulho, que era um socialista. Sabem, daqueles que acreditam que outro mundo é possível. Eu acredito neste mundo, que é aquele em que eu vivo. Os comentários estão aí para vocês, estimados leitores, possam discordar, apoiar ou acrescentar algo à reflexão que declinei nestas linhas. Ao contrário dos cronistas de jornais que não passam pelo crivo imediato de seus leitores, aqui no blog é diferente, não? E sem sujar as mãos com aquela tinta tóxica dos jornais e sem deparar com os escritos dos cronistas anacrônicos.
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